sábado, 8 de setembro de 2007

A Meu Filho e a todos os filhos





A meu filho
(Odylo Costa, filho)
Recorro a ti para não separar-me deste chão de sargaços mas de flores,
onde há bichos que amaste e mais os frutos
que com tuas mãos plantavas e colhias.
Por essas mãos te peço que me ajudes
e que afastes de mim com os dentes alvos
do teu riso contido mas presente
a tentação da morte voluntária.
Não deixes, filho meu, que a dor de amar-te
me tire o gosto do terreno barro
e a coragem dos lúcidos deveres.
Que estas árvores guardam, no céu puro,
entre rastros de estrelas,
a lembrança dos teus humanos olhos deslumbrados.
Publicado: Cantiga incompleta, 1971





Soneto de Jó
(Odylo Costa, filho)
Este grito, que é rio amargo, choro que não é meu apenas,
mas de todos que o filtro das insônias decantou,
ouve-o, Senhor, que é grito de infelizes.
Perdi-me e Te procuro pela névoa,
no céu em fogo, no calado mar.
A Teus pés volto.
Faça-se o que queres.
Tanto me deste que por mais que tires
sempre me resta do que Tu me deste.

Deus necessita do perdão dos homense
e é esse perdão que venho Te trazer.
Com o coração rasgado, mas ao alto,

Senhor, te entrego os filhos que levaste
pelo amor dos meus filhos que ficaram.
Publicado: Cantiga incompleta, 1971


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