
Não existe uma frase que traduza uma vida inteira.
Fala-se muito em “viver o presente”.
Só que você não consegue viver no presente
se não entende seu passado.
Cure o passado.
Viva o presente.
Sonhe o futuro.
Drummond disse:
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo,
mas com tamanha intensidade, que se petrifica,
e nenhuma força jamais o resgata.
Por mais que os pais devotem sua vida aos filhos, os resultados sempre fogem ao seu controle. Pois o que acontece aos filhos depende também do mundo fora do âmbito familiar.
A maioria das mães acredita que sua presença física pode evitar que os filhos sofram qualquer mal. Contudo por mais poderosa e protetora que seja esta presença, não se pode evitar os golpes da vida. Deixar partir os filhos e abandonar os sonhos que se fizeram para eles é uma das perdas necessárias.
"A vida dos filhos é
Perigosa para os pais
Com o fogo, a água, o ar
E outros acidentes;
E alguns, por amor a um filho,
Antecipando a desgraça,
Esvaziam o mundo, para fazer
O mundo tão seguro quanto um quarto".
(Louis Simpson)
Quando os filhos nascem, surge o sonho de protegê-los contra qualquer perigo.
Mesmo tentando salvá-los dos perigos e das dores da vida, há limites.
Temos de desistir de muita coisa que queríamos fazer por nossos filhos.
E, naturalmente, temos de desistir dos filhos também.
Pois assim como os filhos devem, passo a passo, separar-se dos pais,
os pais devem separar-se deles.
Nenhuma de nós é capaz de fazer deliberadamente qualquer coisa para prejudicar nossos filhos, moral, espiritual ou emocionalmente; Há um compartilhado por quase todas as mães: o medo de que nossas falhas como pessoas e como pais ou mães provoque danos permanentes em nossos filhos, e que nem as melhores intenções possam protegê-los. E tememos que nosso amor imperfeito prejudique nossos filhos. Porque pessoas maduras e com conhecimento também são imperfeitas. Ou porque algum acontecimento na nossa vida pode ser tão absorvente e deprimente, que não conseguimos atender às necessidades dos nossos filhos naquele momento. Perdemos nossa mãe, nosso marido é infiel, temos problemas de saúde, de trabalho, e, embora sem intenção de fugir às obrigações para com os filhos, somos levados rumo a outras direções por diversos motivos. É preciso desistir da esperança de que, tentando-se bastante, será possível fazer só o que é certo com os filhos. A conexão é imperfeita. Muitas vezes, erramos. Estudos revelam que nem toda pessoa que teve uma infância terrível é um ser humano danificado. Certas crianças conseguem tanto da vida, a despeito de um passado de pesadelo, a despeito de uma infância "destruidora da alma", demonstram tanta aptidão para se ajustar e sobreviver que são chamados de "invulneráveis". Em seu livro Fala, Memória, Vladimir Nabokov, descreve sua experiência de olhar nos olhos do filho recém nascido e ver neles " sombras de florestas antigas e fabulosas, onde havia mais pássaros do que tigres, e mais frutos do que espinhos...". A fantasia dos pais é conservar esta floresta. A fantasia dos pais é a de que, se forem bons e amorosos, manterão à distância os tigres e os espinhos. A fantasia dos pais é a de que podem salvar os filhos. A realidade chega tarde da noite, quando os filhos estão fora de casa e o telefone toca. A realidade nos faz lembrar, naquele momento, em que o coração perde uma batida, antes de atender o telefone, qualquer coisa, qualquer horror é possível. Contudo, embora o mundo seja cheio de perigos e a vida dos filhos seja perigosa para os pais, eles precisam partir, e os pais precisam deixá-los ir. Esperando que os tenham equipado bem para a jornada. Esperando que, quando caírem, consigam se levantar outra vez. Esperando.
"Mas quando ela cresceu, seu sorriso ficou mais largo com a sugestão de medo e o olhar, mais profundo. Agora ela está consciente de algumas das perdas que sofremos por estarmos aqui. O aluguel extraordinário que se paga durante toda a permanência".
(Annie Dillard)
Nossa existência é finita. O eu que criamos em tantos anos de esforço e sofrimento morrerá. E por mais que nos apoiemos na idéia, esperança, na certeza de que uma parte de nós viverá para sempre, temos de reconhecer também que esse "eu" que respira, ama e trabalha, que conhece a si mesmo, será obliterado para sempre ... para todo sempre. Assim, quer tenhamos ou não imagens de continuidade, de imortalidade, temos também de viver com o senso de transição, consciente de que por mais que amemos tudo o que amamos, não temos o poder de fazer com que isso tudo, e nem nós próprios, permaneça. Tudo é vaidade, temos apenas uma hora para nos exibir no palco, os dias de vinho e rosas desaparecem rapidamente.
Adaptado de Perdas Necessárias Judith Viorst
A luz do sol no jardim
Perde a suavidade e fica gelada,
Não podemos capturar o minuto
Dentro da sua rede de ouro,
Quando tudo já foi dito
Não podemos implorar perdão
Nossa liberdade como free-lancers
Caminhada para o fim;
A terra atrai impiedosa
Sonetos, e pássaros descem;
E logo, amigo,
Não teremos tempo para danças.
O céu era bom para voar
Desafiando os sinos das igrejas
E todas as cruéis sereias
de ferro e o que eles dizem:
A terra chama,
Estamos morrendo, Egito, morrendo.
E sem esperar perdão
De novo enrijecido na terra,
Mas feliz por ter sentado sob
Trovões e chuva com você,
E agradecido também
Pela luz do sol no jardim.
(Louis Mac Neice)
Ah ! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi
E na vida a gente tem que entender
E na vida a gente tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri
Mais quem sofre sempre tem que procurar
Mais quem sofre sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar
Razão para viver
Ver na vida algum motivo pra sonhar
Ver na vida algum motivo pra sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar
(Tim Maia)
(Tim Maia)
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