
Como diz o contador de fábulas do século XVII, Jean de La Fontaine:
“Acreditamos facilmente em tudo que tememos ou desejamos”.
Assim, atribuímos qualidades inexistentes às pessoas e situações à nossa volta,
para que ilusoriamente elas possam preencher as nossas necessidades.
A maioria das propostas de desenvolvimento pessoal e espiritual
A maioria das propostas de desenvolvimento pessoal e espiritual
nos ajuda apenas em parte nessa jornada.
Ainda continuamos a nos perguntar:
Como posso ir de onde estou para onde quero estar?
Grande parte da tradição esotérica e a maioria das religiões,
afirma que somos nós que criamos nossa própria realidade.
Mas se isso é verdade, se sou eu que de fato crio minha vida,
que parte de mim cria situações que julgo absolutamente desagradáveis?
Por que meu trabalho de criação não dá origem á vida que acredito querer?
Por que é tão difícil mudar alguns aspectos meus?
A maioria de nós acredita que se pudéssemos amar a nós mesmos,
e ao próximo como a nós mesmos, nos sentiríamos bem melhor.
Por que é tão difícil para mim fazer isso?
Por que continuo a ser tão egocêntrico ou então tão autodepreciativo?
Recebemos bem pouca ajuda efetiva nestas questões.
A maioria das religiões nos prescreve mandamentos morais,
frequentemente reforçados por culpa ou por medo,
ameaças (veladas ou não), ou persuasão,
e assim não deixamos emergir nossa negatividade.
Quando falhamos, como inevitavelmente acontece,
somos admoestados a tentar com mais empenho.
Somos orientados a oferecer nossas imperfeições a outra pessoa,
ao Cristo, à igreja ou a algum guru.
Espera-se que nos elevemos acima de nossas limitações
e que consideremos nossa negatividade como ignorância temporária da nossa divindade.
Como posso reconhecer (e conviver com) minha negatividade sem dourá-la
ou sem ser destruído por ela?
Por ser a culpa uma emoção muito deprimente,
somos encorajados a não pensarmos em nós mesmos como pecadores ou imperfeitos,
e então lançamos a culpa nos outros.
Descarregamos os nossos sentimentos maus
sobre os que achamos que nos magoaram
e esperamos que os pensamentos ruins e negativos se dispersem.
Mas isso não acontece.
Os sentimentos turbulentos que encontramos dentro de nós
Os sentimentos turbulentos que encontramos dentro de nós
podem ser transformados quando reconhecemos honestamente sem fugas e:
A experiência iluminadora maior, é ser capaz de relacionar os acontecimentos da própria vida, tanto os positivos como os negativos como forças interiores que os criaram.
Isso pode nos conduzir para casa, para o centro de nós mesmos,
para a nossa identidade criadora verdadeira.
Além das portas da percepção da sua fraqueza,
Além das portas da percepção da sua fraqueza,
posta-se a sua força.
Além das portas da percepção da sua dor,
Além das portas da percepção da sua dor,
posta-se o seu prazer e a sua alegria.
Além das portas da percepção do seu medo,
Além das portas da percepção do seu medo,
posta-se a sua segurança e proteção.
Além das portas da percepção da sua solidão,
Além das portas da percepção da sua solidão,
posta-se a sua capacidade de realização, amor e companhia.
Além das portas da percepção da sua desesperança,
Além das portas da percepção da sua desesperança,
posta-se a verdadeira e justificada esperança.
Além das portas da aceitação das carências da sua infância,
Além das portas da aceitação das carências da sua infância,
posta-se a sua realização agora.
Com coragem de não se deixar levar pela fraqueza alheia,
Com coragem de não se deixar levar pela fraqueza alheia,
pois seguir nosso destino requer coragem
até mesmo para superar o medo de assumir nossa própria grandeza
e as exigências que dela decorrem.
Quando somos vistos como uma pessoa forte,
corremos o risco de nos tornar presas fáceis da “tirania dos fracos”.
E não existe tirania mais forte
que aquela que uma pessoa fraca exerce sobre os mais fortes,
ou sobre todo o seu ambiente e ou grupo.
A rigidez nos impede de observar nossa vulnerabilidade.
No entanto, se quisermos despertar a coragem,
devemos, antes, reconhecer que somos vulneráveis.
É a percepção de nossa vulnerabilidade que nos estimula a crescer,
pois nos informa sobre a natureza da força e do conhecimento que precisamos buscar.
Acolhendo nossa fragilidade, descobrimos nosso real tamanho e,
assim, ela se torna um ponto de força.
Somente quando conhecemos nossos pontos vulneráveis
é que sabemos encontrar as melhores condições para nos defender.
Adapatado de:
Adapatado de:
O Caminho da Auto Transformação
Eva Pierrakos
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