sexta-feira, 5 de dezembro de 2008




Como diz o contador de fábulas do século XVII, Jean de La Fontaine:
“Acreditamos facilmente em tudo que tememos ou desejamos”.
Assim, atribuímos qualidades inexistentes às pessoas e situações à nossa volta,
para que ilusoriamente elas possam preencher as nossas necessidades.
A maioria das propostas de desenvolvimento pessoal e espiritual
nos ajuda apenas em parte nessa jornada.

Ainda continuamos a nos perguntar:
Como posso ir de onde estou para onde quero estar?
Grande parte da tradição esotérica e a maioria das religiões,
afirma que somos nós que criamos nossa própria realidade.
Mas se isso é verdade, se sou eu que de fato crio minha vida,
que parte de mim cria situações que julgo absolutamente desagradáveis?
Por que meu trabalho de criação não dá origem á vida que acredito querer?
Por que é tão difícil mudar alguns aspectos meus?
A maioria de nós acredita que se pudéssemos amar a nós mesmos,
e ao próximo como a nós mesmos, nos sentiríamos bem melhor.
Por que é tão difícil para mim fazer isso?
Por que continuo a ser tão egocêntrico ou então tão autodepreciativo?
Recebemos bem pouca ajuda efetiva nestas questões.
A maioria das religiões nos prescreve mandamentos morais,
frequentemente reforçados por culpa ou por medo,
ameaças (veladas ou não), ou persuasão,
e assim não deixamos emergir nossa negatividade.
Quando falhamos, como inevitavelmente acontece,
somos admoestados a tentar com mais empenho.
Somos orientados a oferecer nossas imperfeições a outra pessoa,
ao Cristo, à igreja ou a algum guru.
Espera-se que nos elevemos acima de nossas limitações
e que consideremos nossa negatividade como ignorância temporária da nossa divindade.
Como posso reconhecer (e conviver com) minha negatividade sem dourá-la
ou sem ser destruído por ela?
Por ser a culpa uma emoção muito deprimente,
somos encorajados a não pensarmos em nós mesmos como pecadores ou imperfeitos,
e então lançamos a culpa nos outros.
Descarregamos os nossos sentimentos maus
sobre os que achamos que nos magoaram
e esperamos que os pensamentos ruins e negativos se dispersem.
Mas isso não acontece.
Os sentimentos turbulentos que encontramos dentro de nós
podem ser transformados quando reconhecemos honestamente sem fugas e:
A experiência iluminadora maior, é ser capaz de relacionar os acontecimentos da própria vida, tanto os positivos como os negativos como forças interiores que os criaram.
Isso pode nos conduzir para casa, para o centro de nós mesmos,
para a nossa identidade criadora verdadeira.
Além das portas da percepção da sua fraqueza,
posta-se a sua força.
Além das portas da percepção da sua dor,
posta-se o seu prazer e a sua alegria.
Além das portas da percepção do seu medo,
posta-se a sua segurança e proteção.
Além das portas da percepção da sua solidão,
posta-se a sua capacidade de realização, amor e companhia.
Além das portas da percepção da sua desesperança,
posta-se a verdadeira e justificada esperança.
Além das portas da aceitação das carências da sua infância,
posta-se a sua realização agora.
Com coragem de não se deixar levar pela fraqueza alheia,
pois seguir nosso destino requer coragem
até mesmo para superar o medo de assumir nossa própria grandeza
e as exigências que dela decorrem.
Quando somos vistos como uma pessoa forte,
corremos o risco de nos tornar presas fáceis da “tirania dos fracos”.
E não existe tirania mais forte
que aquela que uma pessoa fraca exerce sobre os mais fortes,
ou sobre todo o seu ambiente e ou grupo.
A rigidez nos impede de observar nossa vulnerabilidade.
No entanto, se quisermos despertar a coragem,
devemos, antes, reconhecer que somos vulneráveis.
É a percepção de nossa vulnerabilidade que nos estimula a crescer,
pois nos informa sobre a natureza da força e do conhecimento que precisamos buscar.
Acolhendo nossa fragilidade, descobrimos nosso real tamanho e,
assim, ela se torna um ponto de força.
Somente quando conhecemos nossos pontos vulneráveis
é que sabemos encontrar as melhores condições para nos defender.
Adapatado de:
O Caminho da Auto Transformação
Eva Pierrakos

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