O Demônio Do Meio Dia
de Andrew Solomom,
uma compilação das partes que achei mais interessantes
durante a leitura do livro.
“Prevenir constantemente,curar às vezes,aliviar quando possível,
mas consolar sempre.” - William Osler.
No século V, Cassiano escreve sobre "o sexto combate"
contra o abatimento e a angústia do coração,dizendo que:
" este é o demônio do meio dia" citado no 90º salmo,
que produz desagrado quanto ao lugar onde se está, desgosto, desdém, desprezo pelos outros homens e apatia".
O trecho em questão ocorre nos Salmos e seria literalmente
traduzido pela Vulgata:
"A verdade dele vos englobará com um escudo:
não tereis medo do terror da noite.
Da seta que voa durante o dia,
das coisas que caminham pelo escuro;
de invasão, ou do demônio do meio-dia".
_ ab incrusus, et daemonio meridiano.
Cassiano presumia que
"o terror da noite"
se referia ao mal;
"a seta que voa durante o dia",
ao ataque dos inimigos humanos;
"as coisas que caminham pelo escuro",
a demônios que vem durante o sono;
"a invasão", à posessão; e "o demônio do meio-dia",
à melancolia,
o que se pode ver claramente
na parte mais clara do dia mas que,
apesar disso, vem arrancar sua alma de Deus.
Tomei a frase como título deste livro
porque descreve exatamente
o que se experimenta na depressão.
A imagem serve para conjurar a terrível sensação de invasão
que acompanha a situação difícil do depressivo.
Há algo duro e afrontoso na depressão.
A maioria dos demônios -
a maioria das formas de angústia -
apóia-se na cobertura da noite.
Vê-los claramente é derrotá-los.
A depressão apresenta-se ao fulgor total do sol,
não se sentindo desafiada pelo reconhecimento.
Pode-se conhecer todos os seus porquês
e mesmo assim sofrer tanto quanto
estando mergulhado na ignorância.
Não há praticamente qualquer outro estado
do qual se possa dizer o mesmo.
pgs:271/273
Numa era em que somos cada vez mais alienados de nossos sentimento,
ficamos reconfortados com explicações sobre porque temos depressão,
ou que tipo de depressão temos ...
as a depressão é uma emoção que existe em todas as pessoas,
entrando e saindo do controle;
a doença depressão é o excesso de algo comum,
não a indução de algo exótico.
Difere de uma pessoa para outra.
O que torna a pessoa deprimida?
Pode-se da mesma forma perguntar
o que torna uma pessoa contente.
Pags: 31_32
Ao que parece, a depressão tem estado presente
desde quando o homem tomou consciência do próprio eu.
Pode ser que a deressão exista mesmo antes dessa época.
Nem a depressão nem o câncer de pele são uma criação do século XXI.
Assim como o câncer, a depressão é uma afecção corporal
que aumentou muito em tempos recentes por motivos bastante específicos.
É importante que não continuemos a ignorar por muito mais tempo
a clara mensagem manifesta através de problemas mais gritantes.
Vulnerabilidades que numa época anterior teriam permanecidos indetectáveis
agora florescem em doenças clinicamente maduras.
Precisamos não apenas aproveitar as soluções imediatas
para nossos problemas correntes
mas também buscar conter estes problemas
e evitar que dominem nossas mentes.
As taxas crescentes de depressão são sem dúvida alguma
conseqüência da modernidade.
O ritmo da vida, o caos tecnológico, a alienação das pessoas,
o colapso da estrutura familiar, a solidão endêmica,
o fracasso dos sistemas de crença
(religioso, moral, político, social _ qualquer coisa
que parecia outrora dar significado e direção à vida)
têm sido catastróficos.
Poucos de nós querem, ou podem,
desistir da modernidade de pensamento,
assim como não querem desistir da modernidade da existência material.
Mas precisamos começar a fazer pequenas coisas agora
para baixar o nível de poluição socioemocional.
Precisamos buscar fé (em qualquer coisa:em Deus, no eu, em outras pessoas,
na política, na beleza ou em qualquer outra coisa) e estrutura.
Precisamos ajudar os que são privados de seus direitos civis,
cujo sofrimento tanto mina a alegria do mundo _
para o bem dessas massas e dos privilegiados
que carecem de motivação profunda em suas vidas.
Precisamos praticar o negócio do amor, e ensiná-lo também.
Precisamos melhorar as circunstâncias
que conduzem a níveis aterradoramente altos de estresse.
Precisamos nos manifestar contra a violência,
e talvez suas representações.
Isso não é uma proposta movida pela emoção;
é tão urgente quanto clamar pela salvação da floresta tropical.
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