terça-feira, 4 de setembro de 2007

Idas e vindas e as voltas que a vida dá



As entradas no meu rosto e os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano no final do mês de agosto
Há vinte e sete anos você nasceu
Ainda guardo muitos retratos antigos
Faz tanto tempo que eu não te vejo
Queria o seu beijo outra vez .....


Oh, morte, teu servo bate à minha porta.
Ele cruzou o mar desconhecido e trouxe ao meu lar o teu chamado.
A noite é como breu e meu coração treme de medo;
mesmo assim, tomarei da lâmpada,
abrirei os portões, e farei vênia em sinal de boas-vindas.
É teu mensageiro que está à minha porta.
Eu o venerarei de mãos postas e com lágrimas nos olhos.
Eu o venerarei, colocando a seus pés o tesouro do meu coração.
Ele retornará com a missão cumprida,
deixando uma sombra escura na manhã do meu dia;
e, em meu lar desolado, só permanecerá o meu desamparado ser,
última oferta de mim para ti.
Tagore - Gintajali - LXXXVI

" Os discursos de quem não viu, são discursos;
os discurso de quem viu são profecias.
Os antigos, quando queriam prognosticar o futuro,
sacrificavam os animais, consultavam-lhes as entranhas,
e conforme o que viam nelas, assim prognosticavam.
Não consultavam a cabeça, que é assento do entendimento,
senão as entranhas, que é o lugar do amor;
porque não prognostica melhor quem melhor entende,
senão quem mais ama.
Palavras, nada mais que palavras.
Mas as palavras são ais, suspiros, profecias.
E com elas se constroem mundos ...
Do Rubem Alves em Variações sobre a Vida e a Morte
" Aqueles que tiveram a força e o amor
para ficar ao lado de um paciente moribundo
com o silêncio que vai além das palavras
saberão que tal momento não é assustador nem doloroso,
mas um cessar em paz do funcionamento do corpo.
Observar a morte em paz de um ser humano
faz-nos lembrar um estrela cadente.
É uma entre milhões de luzes do céu imenso,
que cintila ainda por um breve momento
para desaparecer para sempre na noite sem fim.
Ser terapeuta de uma paciente que agoniza
é conscientizar-se da singularidade de cada indivíduo
neste oceano imenso da humanidade.
É uma tomada de consciência de nossa finitude,
de nosso limitado período de vida.
Poucos dentre nós vivem além dos setenta anos;
ainda assim, nesse curto espaço de tempo,
muitos dentre nós criam e vivem uma biografia única
e nós mesmos tecemos a trama da história humana."
Elisabeth Kübler-Ross - Sobre a Morte e o Morrer

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