
O Fim
Mãe, chegou a minha hora de partir.
Mãe, chegou a minha hora de partir.
Vou me embora.
No claro-escuro da madrugada solitária,
quando estenderes os braços,
procurando seu filhinho no berço, eu te direi:
O filhinho não está mais aqui...
Vou me embora mamãe.
Eu me transformarei em delicada brisa
e acariciarei os teus cabelos.
Serei as ondulações da água, em que tomas banho
e te darei muitos e muitos beijos.
e te darei muitos e muitos beijos.
Nas noites de tempestades,
quando a chuva repicar nas folhas,
da cama ouvirás o meu sussurro
e o meu sorriso brilhará com os relâmpagos
através da janela aberta.
Se estiveres deitada,
pensando em teu filhinho noite adentro,
das estrelas eu cantarei para ti.
Dorme, querida mãezinha, dorme!
Virei nos raios do luar, ficarei sobre a cama
e me aconchegarei ao teu peito enquanto dormes.
Eu me transformarei num sonho e através das frestas de teus olhos
escorregarei de mansinho até o teu mais profundo sono.
Quando acordares assustada, olhando ao redor,
eu sairei voando para a escuridão, como um rouxinol.
Na grande festa de Puja,
quando as crianças do vizinho vierem brincar em casa,
eu estarei flutuando na música da flauta
e ficarei o dia inteiro cantando em seu coração.
Titia virá da feira com presentes e perguntará:
Minha irmã, onde está o menino?
Mãezinha querida, tu lhe dirás docemente:
Ele está na pupila dos meus olhos,
está em meu corpo e em minha alma.
(Rabindranath Tagore)
em A Lua Crescente
2 comentários:
este poema do Tagore é muito especial. Adorei seu blog. Rosa
Obrigada pela visita Rosa.
O que é exatamente Projeto EIC Hospitais? Vi no blog que é um projeto para inclusão de crianças hospitalizadas ao mundo digital, é isso mesmo?
Rita
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