quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Estações




1ª estação,
É quando chega a tempestade, você espia pela fresta da janela
e pressente que teu jardim foi arrasado.
Que a tua flor mais bela foi arrancada.
Não se pode avaliar muito bem o prejuízo,
tudo está ainda muito confuso, um caos.

Não, isso não é verdade!
Não pode estar acontecendo comigo.
Deve ser apenas um sonho ruim.
Por isso minha cabeça está tão confusa.
Logo eu vou acordar, é só um pesadelo!
Aconteceu ... aconteceu ... aconteceu ...
Recuso-me à acreditar.
Sei que acontece todos os dias,
mas com pessoas que eu não conheço.
Não pode ter acontecido comigo.
A ficha demora a cair .... demora muito a cair
quando se perde um filho.
Essa é a 1ª estação da via crucis de quem perdeu um filho.
Então ....
Então vem a 2ª estação:
O desespero ...
a busca por alguma coisa
por algo ou alguém que explique...
que justifique ...
o que é inexplicável, injustificável!
E os psicólogos, psiquiatras, médicos, médiuns, assistentes religiosos.
Todos eles tentam nos ajudar.
E ajudam ...
Mas não conseguem justificar nem explicar.
Por mais que tentem.
Com certeza Deus te reserva alguma coisa muito especial.
Com certeza Deus sabe o que faz.
Com certeza Deus quer que você ....
E então sinto-me protegida.
Sentimo-nos meio invulneráveis.
E ficamos esperando, num misto de aceitação e de negação.
De conformidade e rebeldia.
Agarrados à esta esperança, de que nada mais pode nos acontecer.
Tempo de projeção.
Depositamos nossa energia (pouca e confusa)
nesta esperança, de que a recompença virá.
direcionamos nosso afeto, à algo ou alguém.
alguma coisa boa que há de acontecer!
Tempo de projeção ...
Fase da barganha ...

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